1 Haziran 2011 Çarşamba

DESPESISMO AO RUBRO

É sabido que o défice orçamental assumiu valores nunca registados em tempos de paz tanto em 2009, como em 2010. Em 37 anos de democracia, o défice orçamental nunca foi tão elevado (ver gráfico abaixo). Nem mesmo durante os turbulentos tempos do PREC. É obra. Vale a pena lembrar que quando se fala num défice de 10% do PIB, isso quer dizer que as despesas do Estado são superiores às receitas estatais em cerca de 17 mil milhões de euros. 17 mil milhões. São cerca de 4 TGVs Lisboa-Porto num ano. Ou cerca de 5 TGVs Caia-Poceirão. Ou seja, o despesismo está ao rubro.
Este défice recorde deu azo a um crescimento explosivo da dívida pública, que aumentou 74,7 mil milhões de euros entre o início de 2005 e o final de 2010 (37,3 mil milhões de euros adicionais entre 2005 e 2008, e 37,4 mil milhões de euros em 2009 e em 2010). E é por isso que estamos hoje na situação que estamos hoje, em que nos vimos na contingência de ter de pedir ajuda externa.

Défice orçamental português em percentagem do PIB, 1977-2010

Fonte: Banco de Portugal

Não foi o chumbo do PEC IV ou outro mito qualquer que nos conduziu a esta lamentável situação. Foi mesmo o despesismo deste governo. Porém, e como o governo gosta de se tentar descartar das suas responsibilidades alegando que o descalabro das contas públicas se deve somente à crise internacional e não à sua gestão ruinosa, vale a pena relembrar que durante anos o investimento público de maior monta foi quase todo feito por privados, na forma das famosas parcerias público-privadas (PPPs). Como já aqui vimos várias vezes, as PPPs permitem que as despesas sejam feitas e as obras inauguradas sem que os governos tenham de se preocupar se têm fundos ou não, visto que quem faz o investimento são os privados, os quais 5 ou 10 anos mais tarde começam a receber rendas do Estado que se prolongam por umas décadas. Neste sentido, as PPPs que foram adjudicadas nos últimos anos foram altamente danosas para o erário público, mas muito lucrativas (e sem risco) para os parceiros privados.
Para os governos, as PPPs permitiram fazer obra sem que tivesse havido qualquer preocupação em aumentar a dívida e o défice. Porquê? Porque, como disse, as rendas das PPPs só começam a ser pagas 5 ou 10 anos mais tarde. E foi por isso isso mesmo que os governos optaram por fazer grande parte do investimento público em forma de PPPs: zero impacto no défice e zero impacto na dívida pública presente, e impacto máximo nos governos futuros e nas gerações que se seguem. Uma autêntica fórmula mágica para governos sem escrúpulos e sem preocupações com os nossos filhos.  
É interessante ainda recordar a distribuição das PPPs por governos, que foi a seguinte: 2 nos governos de Cavaco Silva, 30 nos governos de António Guterres, 6 nos de Durão Barroso e de Santana Lopes, e mais de 50 ("and counting") nos governos de José Sócrates. Nos governos do último, as PPPs foram principalmente adjudicadas em 2008, 2009, e em 2010 (ver quadro abaixo). Ou seja, para além de ser responsável por um aumento da dívida pública de quase 40 mil milhões de euros só em 2009 e em 2010, os governos de José Sócrates ainda comprometeram os governos futuros e as próximas gerações com dezenas de milhares de euros em despesas públicas futuras em forma de PPPs. Não é à toa que estamos à beira da bancarrota. E é exactamente por isso que quem votar neste governo no dia 5 está literalmente assinar a bancarrota de Portugal e a compactuar com os responsáveis pelo maior descalabro financeiro do país desde 1892, quando tivemos de declarar insolvência. É tão simples quanto isso.
Para que não fiquem dúvidas sobre as PPPs que foram adjudicadas por este governo, aqui fica a lista das PPPs desde 2006, o prazo de concessão (as rendas) dessas PPPs, e o valor do investimento em milhões de euros. Os dados são da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças:


Ano  Prazo    Investimento
Concessão  LusoLisboa,SA 2007 30 180
Sub-concessão Douro Litoral AEDL,SA 2007 27 777.7
Sub-concessão AE Transmontana A-E 21, SA 2008 30 535.9
Sub-concessão Douro Interior Aenor Douro,SA 2008 30 641.7
Sub-concessão Tunel do Marão A-E Marão,SA 2008 30 348.2
Sub-concessão Baixo Alentejo SPER SA 2009 30 381.9
Sub-concessão Baixo Tejo AEBT,SA 2009 30 270.1
Sub-concessão Litoral Oeste AELO, SA 2009 30 443.6
Sub-concessão Algarve Litoral Rotas do Algarve Litoral, SA 2009 30 165.1
Gestão Sist.Identificação Eléctrónico SIEV 2009 25 n.a.
Gestão do H. Braga, Gestora do Edifício Escala Braga 2009 30 122
Gestão do H. Braga - Ent. Gestora Estabelecimento Escala Braga 2009 10 11.3
Gestão H. Cascais-Ent. Gestora Estabelecimento HPP,SA, 2008, 16,0 2008 30 16
Gestão H. Cascais - Ent. Gestora do Edifício TDHOSP,SA 2008 30 56
Gestão H. Loures-Ent. Gestora Estabelecimento SGHL 2009 10 29.3
Gestão H. Loures - Ent. Gestora do Edifício HL 2009 30 84.6
Resinorte – valorização e trat. Resíduos sólidos, SA 2009 30 190.8
Resiestrela Resiestrela, SA 2008 30 34.1
Simdouro – Saneamento do Grande Porto, 2009 50 72
Barragem de Foz Tua, EDP 2008 75 340
Barragens de Gouvães, Padreselos, Alto Tâmega, Daivões, IBERDROLA 2008 65 1.700.0
Barragens do Fridão e Alvito, EDP 2008 65 510
Barragem Baixo Sabor, EDP 2008 65 257
Barragem Girabolhos, ENDESA 2008 65 360
Barragem do Alqueva, EDP 2008 35 339
Armaz. Subterrâneo de Gás Natural (Guarda), Transgás 2006 40 29.3
Distribuição Regional de Gás Natural (Lisboa), Lisboagás 2008 40 578
Distribuição Regional de Gás Natural (Centro), Lusitaniagás 2008 40 289.3
Distribuição Regional de Gás Natural (Setúbal), Setgás 2008 40 159.8
Distribuição Regional de Gás Natural (Porto), Portgás 2008 40 307.4
Armaz. Regasificação de Gás Natural (Sines), REN Atlântico, SA 2006 40 212
Armaz. Subterrâneo Gás Natural, (Guarda, Pombal), REN Armazenagem 2006 40 114.9
Distribuição Regional de Gás Natural (Beiras), Beiragás 2008 40 69.2
Distribuição Regional de Gás Natural (Vale do Tejo), Tagusgás 2008 40 66.5
Gestão Rede Nacional Transporte de Gás Natural, REN Gasodutos 2006 40 753
Rede Eléctrica Nacional REN-Rede Eléctrica Nacional, SA 2007 50 1.291.7
Exploração Da Rede Nac. Distribuição De elect., EDP-Distribuição Energia 2006 35 1.808.3
Silos de Leixões Silos de Leixões, unipessoal 2007 25 6.2
Terminal Produtos Petrolíferos Petrogal, SA, 2006, 25 2006 25 n.d
Terminal De Granéis Liq.E Gestão De Resíduos CLT 2008 30 n.d.
Gestão do Centro de Atendimento do SNS LCS,SA 2006 4 4.2
CMFRS - São Brás de Alportel GP Saúde 2006 7 3.2
Gestão Do H. Braga - Ent. Gestora Do Edifício 2009 30 124.4
Gestão do H. Braga - Ent. Gestora Estabelecimento Escala Braga, 2009 10 11.5
Gestão H. Cascais-Ent. Gestora Estabelecimento HPP,SA, 2008, 10 2008 10 16.2
Gestão H. Cascais – Ent. Gestora do Edifício TDHOSP,SA 2008 30 56.6
Gestão H. Loures-Ent. Gestora Estabelecimento SGHL - Soc.Gestora 2009 10 29.8
Gestão H. Loures - Ent. Gestora do Edifício 2009 30 86.3
Gestão H. V. Franca - Ent. Gestora do Edifício 2010 30 76.3
Gestão H. V. Franca - Ent. Gestora Estabelecimento Escala 2010 10 2.5
Troço Poceirão-Caia da rede de AVF, ELOS 2010 40 1711
SIRESP - Redes digitais de Seg. E Emergência 2006 15 119




EM CONCURSO


Sub-concessão Pinhal Interior
30 958
Hospital de Vila Franca Xira-Ent.Gestora Edifício 2012
434
Hospital Lisboa Oriental- Ent. Gestora Do Edifício 2014
377
Hospital Central do Algarve-Ent.Gestora Edifício 2014
250
PPP2 - Lisboa/Poceirão (Lisboa/Madrid) (planeado)
40 1585

Hiç yorum yok:

Yorum Gönder